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Ir ou não ir, eis a questão

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Entenda quais são as vantagens e as dificuldades de ser expatriado para outro país e cultura.
 
Ter vivência internacional em alguma organização é o objetivo de muitos profissionais, e não há dúvida que uma experiência assim enriquece o currículo e sua bagagem pessoal. Entretanto, há uma série de fatores, exigências e resultados esperados dos profissionais que optam por aceitar oportunidades em empresas sediadas em outros países e até em outros continentes.

Menos expatriados
Entre as décadas de 80 e 90, devido às crises econômicas e mudanças no cenário socioeconômico no Brasil e no mundo, muitos profissionais brasileiros passaram a ser procurados por sua capacidade de adaptação em cenários adversos. Isso porque, com a globalização, as empresas multinacionais precisavam de profissionais capazes de pensar e agir confortavelmente em qualquer mercado e os brasileiros, por estarem em contato com constantes mudanças econômicas, ficaram conhecidos por sua flexibilidade, comenta o Diretor da Talenses de Legal, Finance & Taxation- Alexandre Benedetti.
Benedetti comenta que, desde então, houve uma queda na incidência de expatriados brasileiros, devido aos custos tangíveis e intangíveis que se tem ao decidir expatriar um profissional. “Expatriação é um processo, que a princípio pode ser visto como um processo com baixo custo/benefício, já que além das despesas significativas que envolvem essa decisão, a companhia acaba perdendo um membro chave por um período.”
Por outro lado, vemos um movimento ainda forte de expatriação de profissionais oriundos de empresas europeias. Benedetti comenta que além da formação europeia ser muito boa - são profissionais que geralmente falam muitas línguas e tem uma formação multicultural - as demissões de gestores nos países desse continente podem ser extremamente onerosas para a empresa. “Em um cenário de crise nos países europeus, como o que vemos hoje, as expatriações de profissionais que não podem mais ser mantidos nas filiais, tornam-se uma opção muito vantajosa”, diz.

Empresas com DNA Global
Existem muitas empresas com sólidos programas de expatriação e que possuem essa prática arraigada no DNA da empresa, contando com políticas e projetos específicos para cada executivo e mercado estrangeiro. Benedetti destaca que em cargos como os de CFO – Chief Financial Officer - é muito importante que o candidato que assumirá a posição tenha uma boa bagagem cultural e apresente bastante adaptabilidade, já que a internacionalização da economia demanda profissionais mais versáteis e que consigam transitar com mais facilidade entre outras áreas do negócio.
De acordo com Benedetti, setores como o farmacêutico, empresas de bens de consumo, químicas e  de agricultura e biotecnologia enxergam de forma mais nítida os benefícios das expatriações para seus processos e práticas. “Normalmente, em empresas onde o Brasil é um dos mercados mais relevantes para a empresa, dificilmente o profissional brasileiro ascenderá a um cargo de C-level sem passar por uma experiência internacional”, explica Benedetti. 

O que ponderar antes de fazer as malas
Apesar da experiência em outro país trazer grandes ganhos profissionais e pessoais, há alguns fatores que precisam ser ponderados antes do profissional sair do Brasil. Estudos indicam que muitas expatriações fracassam, pois, os profissionais não avaliam se seus momentos pessoais e de carreira se encaixam com o momento em que a empresa sugere essa experiência e, ainda, não são previamente preparados culturalmente antes de partir. Esse preparo anterior, por vezes menosprezado, engloba conhecer bem a cultura local, o clima predominante da região, a gastronomia e, principalmente, dominar o idioma da região onde será inserido. 
Alguns relatos de quem já foi expatriado indicam que muitos profissionais, ao voltarem de uma experiência como essa, apresentaram sintomas de depressão. Isso acontece, principalmente, por se sentirem frustrados com as dificuldades de comunicação local, além de sentirem cansados constantemente com o fato de estarem em um lugar onde nada é conhecido e onde as relações no ambiente de trabalho são, por vezes,  mais impessoais. 
”É essencial que o profissional faça um planejamento de sua carreira e de seu momento pessoal antes de viajar, levando em conta aspectos como: oportunidades presentes e futuras, benefícios que a organização irá oferecer, clareza do desafio e plano de expatriação bem definido, com os resultados que a empresa espera obter e o período em que o profissional terá que permanecer no país ao qual será enviado”, completa Benedetti. 
Quando todos os fatores do entorno e das oportunidades futuras são levados em consideração, o expatriado só tende a crescer. Os ganhos em ‘soft skills’ – habilidades comportamentais – são inúmeros, tais como resiliência, fluência em idiomas, flexibilidade, melhoraria na capacidade de escuta e no relacionamento com pares, subordinados e outros gestores.
Os benefícios para as empresas também são incontáveis e, por vezes, são muito mais qualitativos do que quantitativos, já que envolvem mudanças de comportamento, ganhos culturais, motivação do expatriado e ganhos em flexibilidade e experiência do gestor frente a diferentes cenários da organização em distintos mercados. 

As dificuldades de voltar aos país de origem
Uma pesquisa feita com 450 profissionais expatriados de diversas nacionalidades pela Berlitz Educação Global em 2013, aponta que 48% dos entrevistados destaca como principal dificuldade ter que se adaptar a novas formas de tomada de decisão, e o mesmo ocorre no processo de repatriação. 
A pesquisa apresenta ainda um dado alarmante: segundo 62% dos entrevistados, a empresa não ajudou no processo de reajuste, sendo que essa readaptação ao país de origem envolve não só o expatriado, mastambém sua família. Benedetti comenta que a decisão para viver e trabalhar algum tempo em outro país deve levar em consideração as políticas e os processos desenhados pela empresa para a expatriação do profissional e, por isso, este deve negociar todos os termos que sejam importantes para ele neste processo.