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NEWS that MATTER #03 | Human Resources

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Por dentro da carreira em W

Para muitos executivos, sinônimo de uma carreira de sucesso é chegar à diretoria ou presidência de uma empresa. No entanto, para um outro perfil de profissionais, isso não é uma premissa. Carreiras lineares, populares até o início dos anos 90, não são mais uma verdade absoluta dentro das organizações e os profissionais que fogem a essa regra ganham cada vez mais espaço no mercado.

Novos modelos

A carreira em Y, conceito que prevê que o profissional possa seguir tanto o caminho de liderança quanto o de especialista e continue em ascensão, surgiu mais recentemente, quando as empresas se depararam com profissionais que não almejavam ou não tinham perfil para serem líderes e, mesmo brilhantes tecnicamente, quando se tornavam líderes deixavam a desejar e não se sentiam confortáveis nessa posição.

Atualmente, a carreira em W é uma categoria de ascensão profissional que vem sendo bastante difundida. Surgiu após as empresas perceberem que muitos líderes de projetos não se enquadravam nem como gestores e nem como especialistas, mas eram excelentes no que se propunham a fazer.

Os desafios

Com mais um modelo de carreira nas organizações, o desafio passou a ser garantir um mesmo nível de equivalência entre as três opções. As mais altas posições dos três tipos devem ser compatíveis monetariamente e em suas atribuições. Geralmente empresas de tecnologia e de comunicação, que têm um perfil mais disruptivo, vêm adotando a carreira em W com mais facilidade ou até por necessidade. 

                                                                       

Segundo Guilherme Malfi, gerente da divisão de Recursos Humanos da Talenses, os profissionais que trabalham em empresas com este perfil, mas que não se adaptam à carreira em W, dificilmente alcançam um bom desempenho. “São cargos de muito trabalho, com uma carga horária que tende a ser maior do que o normal. O líder de uma empresa tradicional tem um time de experts abaixo dele enquanto ele tende a olhar mais o business. Já o líder de empresas com o conceito de carreira W, flutua e opera entre o técnico e o estratégico”, afirma o executivo.

Empresas como a 99 Táxi, por exemplo, que atuam com este conceito, costumam ser muito inovadoras em sua estrutura e na maneira de olhar o negócio. Todas as pessoas, do presidente ao estagiário colocam a mão na massa, o CFO atua na parte técnica e ao mesmo tempo faz viagens para captação de investidores, controla projetos, fala com pessoas e cuida de RH. As contratações são baseadas em perfis que tenham pensamento semelhante e queiram fazer o mesmo. 

                                                                       

Em grandes corporações sempre haverá a possibilidade de uma carreira linear, mas elas já estão repensando seu modelo de atuação para também oferecer carreiras em W. É importante que a empresa entenda, dentro de sua estrutura, quais são as áreas e quando ela pode ter esse leque de opções para os colaboradores. Isso ainda acontece lentamente no Brasil, mas é visto como tendência. “A carreira W é mais palpável em empresas que já nasceram com uma cultura de projeto e onde todos devem colocar a mão na massa”, completa Malfi.