Idioma do site
Português

Competência ou Experiência?

3.5

Na hora de avaliar as qualificações de um profissional verifica-se pelo menos dois tipos de habilidades: hard skills (habilidades técnicas) e soft skills (comportamentais).

“Para cargos de média e alta gerência, além da formação acadêmica costumamos avaliar as experiências que cada candidato vivenciou, quais foram os resultados que trouxeram para a organizações das quais fizerem parte, além de entendermos o perfil e o momento pessoal de cada um”, explica Paulo Moraes, diretor executivo da Talenses Rio de Janeiro


Formação acadêmica e experiência

Apesar do mercado de recrutamento ainda valorizar muito a formação acadêmica, esta passa a importar em maior ou menor grau de acordo com a posição em que se está recrutando, comenta o Diretor executivo. “Profissionais formados em faculdades que são referência no país ainda são o alvo de muitas empresas, já que elas ainda concentram profissionais muito capacitados e que são diferenciados no mercado”, diz. No entanto, Moraes explica que muitas empresas acabam escolhendo ex-alunos de universidades públicas, não apenas pela formação acadêmica desses profissionais, mas principalmente porque geralmente eles tiveram mais oportunidades de serem bem treinados por grandes empresas em processos de estágio e trainee.

Por outro lado, Moraes comenta que em alguns casos tem visto muitas empresas valorizarem mais candidatos de algumas universidades particulares do que candidatos de faculdades públicas. Para o diretor de finanças, são cada vez mais crescentes as demandas por profissionais que tenham acesso a ferramentas e técnicas de gestão mais modernas e completas, do que ensinos por vezes mais engessados e teóricos, que ainda são oferecidos por muitas universidades públicas. “Em profissões como administração, economia e contabilidade, essa valorização de profissionais de universidades particulares é mais comum, já que muitas destas universidades têm uma grade de ensino mais voltada para o mundo empresarial e não tanto para o segmento acadêmico. Isso torna a busca por profissionais com essa formação mais coerente com o que muitas empresas requerem de seus colaboradores”, explica Moraes.

Aumento da valorização de universidades particulares

A prova de que a notoriedade das Universidades particulares tem crescido no Brasil é apresentada em um recente ranking feito em 2015, organizado pela Quacquarelli Symonds (QS).

A QS publica alguns dos mais renomados rankings de universidades do mundo, e em 2015 criou uma lista com a relação das melhores universidades da América Latina. Neste ranking, a empresa apresenta como parte da avaliação, a opinião de diferentes recrutadores em relação as instituições de ensino superior que eles mais costumam recrutar candidatos, o que equivale a 20% da nota final da instituição ranqueada. 

Essa lista demonstrou que entre as 20 universidades do Brasil preferidas pelo mercado de trabalho, 8 delas são faculdades particulares, o que corresponde a 40% das universidades mais mencionadas no país pelos recrutadores avaliados.

Valorização das escolas de negócios: Uma tendência

Apesar de muitas universidades estarem modernizando o ensino de suas grades curriculares e até inserindo novos cursos e disciplinas, o que se vê ainda é um gap muito grande entre o que se ensina nas universidades – públicas ou particulares - e as reais necessidades do mercado.

Por causa disso, Moraes comenta que muitas empresas têm investido na criação de Universidades Corporativas, para justamente se anteciparem na capacitação de profissionais que pretendem atuar em segmentos que ainda não existem cursos acadêmicos dentro das universidades. “No momento, o que vejo são muitas empresas fazerem parcerias com grandes escolas de negócios, além de investirem em cursos in company para desenvolverem gestores e colaboradores. Já que as universidades e o governo ainda não conseguem acompanhar o dinamismo do mercado e suas novas necessidades, as empresas têm cada vez mais se responsabilizado por formarem esses profissionais dentro de suas próprias estruturas, desenvolvendo cada vez mais um modelo de educação corporativa”, diz.

Educação pela prática

Segundo Paulo Moraes existem profissões que o mercado é o principal formador “Há profissões que o mercado ainda carece de bons profissionais, a exemplo os profissionais de impostos, já que não existe uma faculdade que dê um curso completo sobre o sistema tributário brasileiro, por exemplo. Outros bons exemplos desse gap de formação acadêmica e as demandas de mercado são as áreas de finanças e contabilidade, onde geralmente os profissionais são realmente formados e capacitados pelas big four” - quatro maiores empresas contábeis especializadas em auditoria e consultoria do mundo.

“Além disso, há profissões que não tem formações específicas, a exemplo os profissionais de BI (Business Inteligence), que podem vir das exatas, das comunicações, da administração ou de outras áreas, como pesquisa, por exemplo.  Esses profissionais aperfeiçoam suas técnicas e práticas dentro das organizações das quais fazem parte”, diz.

Salários inflacionados

De acordo com estudos da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos), os salários pagos para executivos no Brasil são uns dos mais inflacionados do mundo, justamente pela dificuldade de encontrar profissionais aptos para determinadas funções de nível executivo.

Para Paulo Moraes, isso pode ser justificado por fatores como o apagão de mão de obra qualificada, vivido em 2010. Muitos bons profissionais foram contratados por um valor acima da média, o que naturalmente gerou uma supervalorização de salários nesta área.
Outro fator que pode ser citado como exemplo é a grande dificuldade de importar mão de obra de outros países, devido a burocracias que estão envolvidas nestas contratações. “Ao mesmo tempo, temos localmente outra questão que são os dissídios coletivos que incorporam ao salário dos profissionais aumentos anuais nas folhas de pagamento, independente de terem ocorrido promoções ou mesmo do momento de a economia ser favorável ou não, o que contribui para que os salários sejam mais inflacionados”, comenta.

Outro ponto ressaltado por Moraes é a dificuldade de encontrar no Brasil profissionais, mesmo de nível executivo, com fluência em idiomas como o inglês e espanhol, por exemplo, o que naturalmente faz com que àqueles que são fluentes nos idiomas requisitados sejam mais disputados pelo mercado.